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Álcool

Entrevistas:
Dependência química





Dr. Ronaldo Laranjeira é médico, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Escola Paulista de Medicina na Universidade Federal de São Paulo e com PhD em dependência química na Inglaterra.

Perfil de personalidade dos alcoólicos

Drauzio
Além desses fatores familiares genético-comportamentais, que tipo de personalidade aumenta o risco de uma pessoa desenvolver alcoolismo?
Ronaldo – Muito já se escreveu sobre o perfil de personalidade associado ao uso de álcool. Nas décadas de 1950 e 1960, pensava-se que existiria um tipo de personalidade que favoreceria o alcoolismo. As pesquisas não confirmaram essa suposição e estudo recente que acompanhou pacientes alcoólatras durante 60 anos não possibilitou determinar um perfil de personalidade característico dessas pessoas.
No entanto, alguns traços de personalidade são fatores de risco para a dependência de álcool. A impulsividade e irritação que marcam o jeito de ser de determinadas pessoas ou a timidez e isolamento social de outras são características que facilitam o consumo de álcool uma vez que ele pode ser utilizado par atenuar essas dificuldades. A tendência do sujeito impulsivo que se beneficia do efeito relaxante do álcool é, sem dúvida, repetir o consumo. O indivíduo mais tímido, mais isolado socialmente que descobre no álcool um instrumento para melhorar sua performance social, vai valer-se dele em várias ocasiões.