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Entrevistas: |
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Cultura familiar e predisposição genética Drauzio – Certas famílias têm uma concentração maior de pessoas com problemas relativos ao uso de álcool. Há fatores genéticos envolvidos com o alcoolismo? Ronaldo – Para analisar histórias familiares de pessoas envolvidas com álcool, é preciso fazer distinção entre cultura da família em relação ao uso dessa substância e aspectos genéticos. Por exemplo, em determinadas famílias existem mais médicos ou advogados e não se pode falar em força da genética na escolha dessas profissões. Trata-se, sem dúvida, de um componente ambiental transmitido de geração para geração que vai influenciar as escolhas pessoais. No meu ponto de vista, esse componente familiar é o argumento mais poderoso para explicar por que se repetem casos de problemas com álcool em certos grupos familiares que valorizam e facilitam o uso do álcool. Em relação aos homens, beber significa uma espécie de rito de passagem para a vida adulta e sinal de masculinidade. Há também evidências muito firmes de que existe uma vulnerabilidade biológica ao álcool em membros de uma mesma família que se sentem muito bem quando bebem. Esse lado reforçador do álcool é poderoso especialmente se o indivíduo estiver inserido numa cultura que valoriza o seu uso. A tendência, nesse caso, principalmente dos homens, é repetir esse comportamento e, geração após geração, o consumo de álcool será um problema para eles. Ao contrário, no entanto, existem famílias em que pesam mais as reações tóxicas que o álcool produz. É o que acontece com certas famílias de japoneses que apresentam deficiência de uma enzima, levando à produção de acetaldeído, responsável por intenso mal-estar mesmo quando as doses ingeridas forem pequenas. Essas estão biologicamente protegidas porque naturalmente são desestimuladas para repetir o consumo. |
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